Dormir bem é uma peça-chave no controle da dor crônica. Durante o sono o corpo repara tecidos, regula hormônios relacionados ao estresse e à dor e fortalece o sistema imunológico. A privação ou fragmentação do sono aumenta a ativação da via responsável pela sensibilidade à dor e reduz a capacidade do corpo de se recuperar, criando um ciclo em que dor atrapalha o sono e insônia amplifica a dor.

Dor e sono: uma relação de mão dupla

A dor crônica pode atrapalhar o sono — e o sono ruim pode piorar a dor. É um ciclo difícil de quebrar:

  • A pessoa que sente dor, tem dificuldade para dormir
  • Dorme mal, acorda cansada e mais sensível
  • A dor aumenta, e o sono continua prejudicado

Por isso, cuidar do sono é uma estratégia importante no tratamento da dor crônica. Além do tratamento proposto pelo reumatologista, como doutora Larissa, médica reumatologista e pós graduada em clínica da dor, algumas mudanças diárias podem ser de grande auxílio. 

Dicas práticas de higiene do sono para reduzir a dor

  • Mantenha horários regulares: Mantenha um horário fixo para dormir e acordar todos os dias, inclusive nos fins de semana. Isso ajuda a regular o ciclo circadiano e melhora a qualidade do sono.
  • Evite atividades muito estimulantes antes de dormir: Evite filmes de ação ou terror, videogames ou uso intenso do celular, uma hora antes de deitar;
  • Leia material relaxante uma hora antes de deitar: Ler um capítulo de um livro sem suspense ou terror ajuda a desacelerar a mente.
  • Evite substâncias estimulantes e álcool à noite: Fumar e beber café, chimarrão, chá verde, chá preto e bebidas alcoólicas fragmentam o sono e reduzem seu caráter reparador.
  • Pratique exercícios regularmente, com limite de antecedência: Faça atividade física, mas evite exercícios intensos nas três horas que antecedem o sono, como aulas intensas de aeróbica (ciclismo acelerado, corrida), levantar peso pesado, pois aumentam a liberação de adrenalina e outros hormônios do estresse como cortisol, elevam a frequência cardíaca e a temperatura corporal, e ativam o sistema nervoso simpático, que dificultam iniciar e manter o sono.
  • Controle ambiente de sono: Evite barulho, luz excessiva e temperaturas elevadas. Use tampões ou protetores auriculares se houver ruído externo. Garanta conforto do colchão e travesseiros.
  • Cuide da alimentação noturna: Evite refeições gordurosas, fast food, rodízios ou grandes porções antes de deitar. Prefira jantares leves e em horários adequados.
  • Durma o tempo necessário: Durma apenas o suficiente para sentir-se descansado; evite dormir muito mais que 8–9 horas regularmente.
  • Cochilos e insônia: Se estiver com insônia noturna, evite cochilos durante o dia até que o sono noturno normalize. Depois, cochilos curtos são aceitáveis.
  • Alimentos que favorecem a regulação do sono: Inclua alimentos como nozes, sementes, queijo, carnes magras, aves, peixes, aveia e ovos na dieta, pois contém nutrientes que influenciam a serotonina e o sono.
  • Rotinas de relaxamento antes de deitar: Tome um banho quente, faça exercícios de respiração ou outro exercício de relaxamento. Use a cama preferencialmente apenas para dormir; evite trabalhar ou ver TV na cama.
  • Estratégia ao não conseguir dormir Se estiver na cama por 20 minutos sem conseguir dormir, levante-se, faça algo relaxante por alguns minutos e volte somente quando sentir sono. Se após tentar duas vezes ainda não dormir, permaneça na cama por 20 minutos sem tentar forçar o sono; permita que o relaxamento ocorra sem pressão para “dormir”.

Benefício esperado

A adoção consistente dessas medidas tende a reduzir a fragmentação do sono, aumentar o sono reparador e, com isso, diminuir a sensibilidade à dor, melhorar o humor e favorecer a recuperação física.

Bibliografia