A fibromialgia é uma doença que causa dor generalizada no corpo, cansaço, sono não reparador, esquecimento (fibro fog), sensibilidade em várias partes do corpo e impacto na saúde mental. Em pacientes com dor crônica, apresentar excesso de peso costuma piorar a dor, mas você sabe o por quê?

Abaixo está explicado de forma simples por que isso acontece e o que você pode te ajudar a reduzir sua dor.

Por que o excesso de peso piora a dor

  • O peso aumenta a pressão nas articulações (joelhos, coluna, tornozelos), provocando mais sobrecarga e gerando dor mecânica.
  • A gordura corporal libera substâncias que inflamam o corpo, e esses marcadores inflamatórios contribuem para desregular ainda mais a dor da fibromialgia.
  • Prejudica o sono – Pessoas com obesidade podem apresentar acúmulo de gordura, ao redor do pescoço e da garganta, estreitando as vias aéreas superiores, quando isso impede a passagem do ar, o paciente apresenta apneia obstrutiva do sono, um quadro em que a via aérea chega a fechar repetidamente durante a noite. A apneia agrava o ronco e provoca sonolência diurna, cansaço, pois cada despertar para respirar fragmenta seu sono. Para saber mais, é só clicar no tema: O Papel do Sono na Redução da Dor Crônica e Dicas para Auxiliar na Qualidade do Sono.
  • Com mais peso é mais difícil mexer‑se e fazer tarefas do dia a dia, o que leva a pessoa a ser menos ativa, levando a perda de força e pior condicionamento, favorecendo portadores de dor crônica a terem mais crises.
  • Sentir‑se cansado e com baixa autoestima também influencia como você percebe a dor, seu psicológico atua muito na sensibilização da dor.

O que é esperado ao perder peso

  • Diminuição gradual da intensidade da dor e episódios de piora.
  • Melhora do sono e do cansaço, o que por sua vez reduz a sensibilidade à dor.
  • Aumento da facilidade para fazer exercícios que fortalecem músculos e protegem articulações.
  • Possível redução no uso de remédios para dor, sempre com orientação médica.

Metas realistas e seguras

  • Meta inicial: perder de 5% a 10% do peso corporal costuma trazer benefícios claros.
  • Perda lenta e constante (0,5–1 kg por semana) é mais segura e mais fácil de manter.

Como começar (abordagem prática e segura)

  • Procure uma equipe: médico + nutricionista + fisioterapeuta/educador físico; apoio psicológico quando há desânimo.
  • Alimentação: pequenas mudanças sustentáveis (reduzir açúcar e ultraprocessados; escolher mais frutas, vegetais, proteínas magras e água).
  • Movimento: comece com atividades de baixo impacto (caminhada, hidroterapia, bicicleta ergométrica), aumentando aos poucos conforme tolerância.
  • Sono: trabalhe hábitos de sono (horário regular, ambiente escuro, evitar telas antes de dormir).
  • Estratégias para dor: combinar atividade com técnicas de relaxamento, alongamento e fisioterapia para adaptar o corpo ao exercício sem agravamento.
  • Evite dietas radicais ou exercícios intensos sem orientação — isso pode piorar a dor e a adesão.

Dicas para manter a motivação

  • Foque em pequenos objetivos (andar 10 minutos a mais, melhorar o sono) em vez de só no número da balança.
  • Registre avanços em como você dorme, na energia diária e na capacidade de realizar tarefas.
  • Busque grupos de apoio ou profissionais que o acompanhem regularmente.

Quando procurar ajuda

  • Se a dor aumentar muito ao iniciar exercícios, converse com seu fisioterapeuta ou médico.
  • Se houver perda de peso não intencional, febre, sudorese noturna ou outros sinais incomuns, procure atendimento médico.
  • Peça orientação profissional antes de começar mudanças drásticas na dieta ou medicamentos para emagrecimento.

Perder peso pode tornar a fibromialgia mais manejável: menos carga nas articulações, menos inflamação, sono melhor e maior capacidade de se exercitar. Com metas realistas e uma equipe que te apoie, como Dra. Larissa Karkow, médica reumatologista e pós graduada em clínica em dor, atendendo em Uberaba e por telemedicina, isso irá ajudar a criar pequenas mudanças que fazem diferença na dor e para a qualidade de vida.

Bibliografia

  1. O Efeito da Fibromialgia na Qualidade do Sono de Mulheres com Obesidade” — https://www.revistasaudecoletiva.com.br/index.php/saudecoletiva/article/view/3303
  2. O impacto da fibromialgia na qualidade de vida dos adultos” — revisão científica integrada (RCI)
     https://revistas.unaerp.br/rci/article/download/3178/2420/10709
  3. Instituto de Medicina Sallet — “Apneia do sono e obesidade: entenda os sintomas, o tratamento e como evitar complicações”  https://sallet.com.br/apneia-do-sono-e-obesidade-entenda-os-sintomas-o-tratamento-e-como-evitar-complicacoes/