Gestação e doenças reumatológicas
Doenças como lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatoide e espondiloartrites têm comportamentos distintos durante a gravidez, gerando insegurança em muitas mulheres que têm o desejo de gestar, mas se perguntam se é possível engravidar se tiverem uma doença autoimune reumatológica.
A gestação em mulheres com doenças reumatológicas é viável, desde que ocorra planejamento cuidadoso e acompanhamento com obstetra e reumatologista, para equilibrar o controle da doença materna e a segurança fetal. O acompanhamento antes, durante e após a gestação inclui revisão de medicações, monitorização da atividade da doença, vigilância obstétrica específica e preparo para manejo do puerpério.
Logo abaixo, estão em destaque algumas informações importantes sobre gestação em pacientes com doenças reumatológicas:
Informações essenciais sobre gestação e doenças reumatológicas
A maioria das mulheres com doenças reumatológicas podem engravidar e ter uma gestação bem-sucedida, para isso, o médico reumatologista precisa ser informado do desejo de engravidar, antes de iniciar as tentativas de gestar, para iniciar o acompanhamento especializado e ajustes de tratamento quando necessários.
Planejamento pré‑concepcional — o que fazer antes de tentar engravidar
Antes de iniciar as tentativas de engravidar, é fundamental conversar com seu reumatologista, sobre o desejo de engravidar, assim o mesmo pode iniciar os preparativos, como:
- Estabilizar a doença: buscar remissão, de no mínimo 6 meses antes do reumatologista considerar liberar para iniciar as tentativas de engravidar.
- Revisar medicamentos: substituir ou interromper drogas teratogênicas (que prejudicam o desenvolvimento do feto) e manter aquelas seguras para reduzir surtos da doença.
- Suplementação: ácido fólico conforme orientação obstétrica.
- Plano conjunto: calendarizar consultas com reumatologia, obstetrícia de alto risco e demais especialistas necessários.
Medicações durante a gravidez
- Prioridade: controlar a atividade da doença; crises ativas costumam trazer mais risco fetal.
- Manter: medicamentos com segurança comprovada na gravidez quando indicados (decisão individualizada).
- Evitar/suspender: agentes com risco teratogênico — programar interrupção com antecedência suficiente antes da concepção.
- Corticosteroides: usar a menor dose eficaz; são úteis para controlar surtos agudos.
- Biológicos e imunomoduladores: avaliar caso a caso; alguns podem ser continuados até certo momento da gravidez e outros devem ser suspensos.
Acompanhamento obstétrico e reumatológico
- Equipe multidisciplinar: reumatologista + obstetra com experiência em gravidez de alto risco; outros especialistas conforme comorbidades (nefrologista, cardiologista).
- Monitoramento fetal: ultrassonografias para datar e acompanhar crescimento; ecocardiografia fetal quando há anticorpos anti‑SSA/anti‑SSB positivos devido ao risco de bloqueio atrioventricular neonatal.
- Consultas: avaliações regulares para ajustar tratamento e detectar flares precocemente.
Riscos e evolução da doença na gravidez
- Riscos obstétricos: maior chance de parto prematuro, pré‑eclâmpsia, restrição de crescimento fetal e aborto em algumas doenças ativas, mas na doença controlada, esses riscos diminuem.
- Comportamento das doenças: varia muito, algumas apresentam alívio da doença durante a gravidez, (por exemplo, muitos casos de artrite reumatoide tendem a entrar em remissão durante uma gestação), outras podem agravar‑se ou voltar a atividade, como no Lúpus Eritematoso Sistêmico.
Parto, puerpério e amamentação
- Parto: meta de evoluir até termo sempre que possível; será avaliado pela equipe obstétrica o tipo de parto, conforme evolução.
- Puerpério: risco de retorno ou piora da doença; manter plano de tratamento e contato próximo com a equipe reumatológica.
- Amamentação: incentivada quando possível; Em alguns casos, a medicação de escolha para controle da doença impossibilita o aleitamento.
Orientações práticas para o dia a dia
- Comunicação: informe qualquer sintoma novo ou piora imediatamente ao reumatologista/obstetra.
- Vacinação e prevenção: atualizar vacinas antes da gestação quando indicado.
- Estilo de vida: sono adequado, nutrição balanceada, evitar tabaco e consumo de álcool; atividade física leve conforme tolerância.
- Planejamento emocional e social: considerar rede de apoio e suporte para o pós‑parto.
Mensagem final
Com preparação, comunicação e acompanhamento em equipe, a maioria das mulheres com doenças reumatológicas terá uma gestação bem‑sucedida; o objetivo é reduzir atividade da doença, modificar o tratamento para medicações mais seguras para o desenvolvimento do feto, antes da concepção e manter vigilância contínua para ajustar tratamentos quando necessário.
Bibliografia recomendada com links
- EULAR — European Alliance of Associations for Rheumatology: Recomendações da EULAR para uso de medicamentos antirreumáticos na reprodução, gravidez e lactação: atualização de 2024
Disponível em: https://www-sciencedirect-com.translate.goog/science/article/pii/S0003496725008180?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt&_x_tr_hl=pt&_x_tr_pto=tc - LUMEN ET VIRTUS – Gestão de gravidez em pacientes com doenças autoimunes: Revisão das práticas para o manejo de gestantes com doenças autoimunes.
Disponível em: https://share.google/GHWG5Pfh4HhShmFB7
