A Síndrome de Sjögren é uma doença autoimune que ainda gera muitas dúvidas. Muita gente associa o problema apenas a olho seco e boca seca, mas o quadro pode ir além disso e afetar a qualidade de vida de formas bem diferentes em cada paciente. Os sintomas podem ser leves, variar ao longo do tempo e, em alguns casos, se confundir com outras condições, o que atrasa a investigação.
Neste conteúdo, reuni os mitos e verdades mais comuns sobre a Síndrome de Sjögren para ajudar você a entender melhor os sinais da doença, quando pensar em avaliação com reumatologista e por que o diagnóstico precoce faz diferença.
O que é a Síndrome de Sjögren?
A Síndrome de Sjögren é uma doença autoimune em que o sistema imunológico passa a atacar principalmente glândulas que produzem lágrimas e saliva. Por isso, os sintomas mais conhecidos são olhos secos e boca seca. Mas isso não significa que a doença se limite a essas queixas. Dependendo do caso, também pode haver fadiga, dores articulares e manifestações em outras partes do corpo.
10 mitos e verdades sobre a Síndrome de Sjögren
1. “É só boca e olho seco”
Mito.
Olhos secos e boca seca são sinais muito comuns, mas a Síndrome de Sjögren pode ir além. Algumas pessoas apresentam cansaço importante, dores nas articulações, secura em outras mucosas, como nariz e região genital, além de manifestações sistêmicas em casos selecionados. Por isso, reduzir a doença a “secura” pode atrasar a percepção do problema.
2. “Só pessoas idosas têm Sjögren”
Mito.
Ela pode aparecer em qualquer idade, mas é mais comum em mulheres entre 30 e 50 anos. .
3. “Olho seco pode ser só cansaço”
Verdade.
Nem todo olho seco significa Síndrome de Sjögren. Uso prolongado de telas, ar-condicionado, alergias, blefarite, medicações e outras causas também podem levar a esse sintoma. O mesmo vale para a sensação de boca seca. O ponto de atenção é quando a secura é persistente, recorrente ou vem acompanhada de outros sinais, como fadiga, dor articular ou aumento de cáries.
4. “Quem tem Sjögren sempre percebe boca muito seca desde o início”
Mito.
A apresentação pode variar. Algumas pessoas têm sintomas clássicos logo no começo, enquanto outras passam um tempo sem perceber a secura de forma tão evidente. Há casos em que outras manifestações surgem antes mesmo da boca seca chamar atenção.
5. “Toda pessoa com boca seca ou olho seco tem Sjögren”
Mito.
Esse é um erro comum. A secura pode ter várias causas e, por isso, não deve ser interpretada isoladamente. O diagnóstico não se baseia em um sintoma único, mas em uma avaliação clínica completa, que pode incluir exames laboratoriais, testes oftalmológicos e investigação das glândulas salivares.
6. “Pode causar cansaço excessivo”
Verdade.
A fadiga é uma queixa frequente em pacientes com Sjögren e pode impactar bastante a rotina. Em algumas pessoas, o cansaço é um dos sintomas que mais incomoda, mesmo quando a secura não parece tão intensa.
7. “Tem cura”
Mito.
A Síndrome de Sjögren não tem cura definitiva até o momento, mas tem tratamento e acompanhamento. O objetivo é controlar sintomas, reduzir impacto na qualidade de vida e tratar manifestações além das glândulas quando elas existem. Quanto mais cedo o quadro é reconhecido, melhor tende a ser a organização do cuidado.
8. “Pode afetar os dentes”
Verdade.
A saliva ajuda a proteger dentes e mucosa oral. Quando a boca fica seca, aumenta o risco de cáries, doença gengival, dificuldade para mastigar e engolir e infecções na boca. Por isso, acompanhamento odontológico também é importante no cuidado de quem tem Sjögren.
9. “Todo paciente precisa usar remédio forte”
Mito.
O tratamento varia conforme os sintomas e os órgãos afetados. Algumas pessoas melhoram com medidas de alívio da secura, lágrimas artificiais, cuidados com a boca e ajustes de rotina. Outras precisam de medicamentos específicos quando há inflamação mais importante ou acometimento sistêmico. Não existe tratamento único para todos os casos.
10. “O diagnóstico precoce é importante”
Verdade.
Investigar cedo ajuda a controlar melhor os sintomas, identificar manifestações associadas e orientar os cuidados de forma mais precisa. Em doenças autoimunes, esperar demais para procurar avaliação pode prolongar o desconforto e atrasar intervenções úteis.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico da Síndrome de Sjögren é clínico e individualizado. Ele pode envolver a análise dos sintomas, exame físico, exames de sangue, testes para avaliar produção de lágrimas, avaliação da saliva e, em algumas situações, exames de imagem ou biópsia de glândula salivar. O diagnóstico é feito através de um conjunto de critérios diagnósticos preenchidos, pós avaliação do especialista.
Quando procurar um reumatologista?
Vale procurar avaliação quando houver olho seco ou boca seca persistentes, sensação de areia nos olhos, necessidade frequente de beber água para engolir alimentos, aumento de cáries, fadiga sem explicação clara, dores articulares ou secura em outras mucosas. Esses sinais não confirmam Sjögren por si só, mas justificam investigação, especialmente quando se repetem ou se associam entre si.
Tratamento e acompanhamento
O tratamento depende do quadro de cada paciente. Em muitos casos, o foco é aliviar a secura ocular e oral e proteger a saúde dos olhos e da boca. Em outros, pode ser necessário tratar inflamação articular ou manifestações sistêmicas. Por isso, o acompanhamento individualizado com reumatologista e, quando indicado, com oftalmologista e dentista faz parte do cuidado.
Conclusão
A Síndrome de Sjögren vai muito além de “olhos e boca secas”. Entender os sintomas, reconhecer os mitos mais comuns e buscar avaliação quando os sinais persistem pode fazer diferença no diagnóstico e no controle da doença. Em Uberaba e região, esse tipo de investigação pode ser feito em consulta com reumatologista, e o site da Dra. Larissa Karkow também oferece informação complementar sobre Sjögren, doenças autoimunes e atendimento por telemedicina.
Se você apresenta boca seca, olhos secos, fadiga ou dores articulares persistentes, agende uma avaliação com reumatologista para investigação individualizada em Uberaba ou por telemedicina.
Referências bibliográficas (ABNT):
- SOCIEDADE BRASILEIRA DE REUMATOLOGIA. Síndrome de Sjögren. Disponível em:OrgDoença de Sjögren – Sociedade Brasileira de Reumatologia. Acesso em: 30 mar. 2026.
- MAYO CLINIC. Sjogren’s syndrome. Disponível em: https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/sjogrens-syndrome/symptoms-causes/syc-20353216. Acesso em: 30 mar. 2026.
- NHS (NATIONAL HEALTH SERVICE). Sjögren’s syndrome. Disponível em:NhsSjögren’s syndrome. Acesso em: 30 mar. 2026.
