Osteoporose: a doença silenciosa que precisa de atenção precoce

por | abr 7, 2026 | Doenças Reumatológicas | 0 Comentários

Dra. Larissa Karkow Pérez em consulta reumatológica, explicando osteoporose a uma paciente com apoio visual sobre saúde óssea.

A osteoporose é uma doença que reduz a resistência dos ossos e aumenta o risco de fraturas, muitas vezes após quedas pequenas ou até traumas mínimos. Ela é chamada de “doença silenciosa” porque, na maior parte dos casos, não causa sintomas claros nas fases iniciais. Muitas pessoas só descobrem o problema depois de uma fratura no punho, na coluna ou no quadril.

Por isso, a atenção precoce à saúde óssea faz diferença. Saber quem tem mais risco, quando investigar e qual exame ajuda no diagnóstico permite uma abordagem mais cuidadosa, principalmente em mulheres após a menopausa, pessoas com baixo peso, histórico familiar, uso prolongado de corticoides e algumas doenças reumatológicas.

O que é osteoporose?

A osteoporose é uma condição em que há perda progressiva de massa óssea e alteração da qualidade do osso. Na prática, isso deixa o esqueleto mais frágil e mais suscetível a fraturas. O problema pode evoluir ao longo dos anos de forma discreta, sem dor contínua ou sinais evidentes no começo.

Embora seja mais lembrada no envelhecimento, a osteoporose não depende apenas da idade. O risco resulta da combinação entre fatores hormonais, genéticos, metabólicos, inflamatórios e hábitos de vida.

Por que a osteoporose é chamada de doença silenciosa?

O termo faz sentido porque a perda óssea costuma acontecer sem sintomas perceptíveis. Diferentemente de outras doenças, não é comum a pessoa sentir “o osso enfraquecendo”. Em muitos casos, o primeiro sinal é uma fratura por fragilidade, redução de altura ao longo do tempo ou dor nas costas após fratura vertebral.

Isso explica por que o rastreio é tão importante em quem já apresenta fatores de risco. Esperar sintomas pode atrasar o diagnóstico.

Quem tem maior risco de desenvolver osteoporose?

Alguns fatores aumentam a chance de perda óssea e fraturas:

  • envelhecimento
  • sexo feminino
  • menopausa, especialmente quando ocorre mais cedo
  • histórico familiar de osteoporose ou fratura
  • baixa ingestão de cálcio e vitamina D
  • sedentarismo
  • tabagismo
  • consumo excessivo de álcool
  • baixo peso corporal
  • uso prolongado de corticoides
  • doenças inflamatórias e autoimunes, como artrite reumatoide

Pacientes que fazem uso prolongado de corticoides merecem atenção especial. Esses medicamentos podem ser fundamentais em várias doenças reumatológicas, mas o acompanhamento médico precisa considerar também seus possíveis efeitos sobre a massa óssea.

Por que a osteoporose é mais comum em mulheres?

A principal razão está relacionada à redução do estrogênio após a menopausa. Esse hormônio tem papel importante na manutenção da massa óssea. Quando seus níveis caem, a reabsorção óssea acelera e a perda de osso tende a se tornar mais rápida. Além disso, em geral, as mulheres partem de uma massa óssea menor do que os homens, o que também contribui para o risco aumentado ao longo dos anos.

Isso não significa que homens estejam livres do problema. A osteoporose também pode ocorrer em homens, especialmente com o avanço da idade, presença de doenças crônicas, baixo peso, sedentarismo, fraturas prévias e uso de corticoides.

Quando fazer densitometria óssea?

A densitometria óssea, também chamada de DXA, é o principal exame para avaliar a densidade mineral óssea e ajudar no diagnóstico da osteoporose. De forma geral, o rastreio é recomendado para:

  • mulheres com 65 anos ou mais
  • mulheres na pós-menopausa com menos de 65 anos quando há fatores de risco
  • homens com 70 anos ou mais
  • adultos com fratura por fragilidade
  • pessoas com doenças ou uso de medicamentos associados à perda óssea, como corticoides por tempo prolongado

Ou seja, não é preciso esperar idade avançada quando o contexto clínico já sugere risco aumentado. Em quem tem histórico familiar, menopausa precoce, baixo peso, tabagismo, doenças inflamatórias ou fratura prévia, a avaliação pode ser indicada antes, conforme análise médica individual.

Como é feito o diagnóstico da osteoporose?

O diagnóstico é feito principalmente por meio da densitometria óssea, exame simples, rápido e indolor, geralmente realizado na coluna lombar e no quadril. Além de ajudar na classificação da densidade mineral óssea, o exame também é útil para monitoramento em casos selecionados.

O resultado costuma ser interpretado pelo T-score:

  • T-score maior ou igual a -1,0: dentro da faixa considerada normal
  • T-score entre -1,0 e -2,5: osteopenia
  • T-score menor ou igual a -2,5: osteoporose

Além da densitometria, o diagnóstico e a decisão terapêutica podem considerar outros elementos, como histórico de fratura por fragilidade, idade, fatores clínicos, uso de medicamentos e risco estimado de novas fraturas.

Artrite reumatoide, corticoides e osteoporose: por que essa relação importa?

Na reumatologia, essa associação merece atenção. Pessoas com doenças inflamatórias crônicas, como artrite reumatoide, já podem apresentar maior risco de perda óssea pela própria inflamação sistêmica. Quando há necessidade de corticoides, esse risco pode aumentar ainda mais, dependendo da dose e do tempo de uso.

Por isso, a avaliação da saúde óssea faz parte de um cuidado mais amplo. Em alguns pacientes, investigar osteoporose não é um detalhe secundário, mas parte importante do acompanhamento clínico.

Conclusão

A osteoporose pode evoluir sem chamar atenção, mas suas consequências podem impactar mobilidade, autonomia e qualidade de vida. Justamente por isso, identificar fatores de risco e avaliar o momento certo para investigar faz diferença.

Se você já teve fratura, está na pós-menopausa, usa corticoide por tempo prolongado ou convive com doença inflamatória, vale conversar com uma médica reumatologista. Em Uberaba e região, esse cuidado pode começar com uma avaliação clínica criteriosa da sua saúde óssea.

Para investigar risco de osteoporose e definir a melhor conduta para o seu caso, agende sua consulta com a Dra. Larissa Karkow Pérez. Atendimento presencial em Uberaba e por telemedicina.

Referências bibliográficas

  • Biblioteca Virtual em Saúde. Em qual idade devemos solicitar densitometria óssea para homem e mulher? Disponível em: BVS APS. Acesso em 7 abr. 2026.
  • MSD Manuals. Osteoporose – diagnóstico e manejo. Disponível em: MSD Manuals
  • Rocha-Loures MAA, Perez MO, Szejnfeld VL, et al. Osteoporose e outras doenças osteometabólicas. 1. ed. Barueri: Manole, 2024.