GESTAÇÃO E DOENÇAS REUMATOLÓGICAS – O QUE O PACIENTE PRECISA SABER?

por | out 10, 2025 | Doenças Reumatológicas, Tratamentos | 0 Comentários

Médica reumatologista orienta gestante durante consulta, com ultrassom ao fundo — guia sobre gestação e doenças reumatológicas.

Gestação e doenças reumatológicas

Doenças como lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatoide e espondiloartrites têm comportamentos distintos durante a gravidez, gerando insegurança em muitas mulheres que têm o desejo de gestar, mas se perguntam se é possível engravidar se tiverem uma doença autoimune reumatológica.

A gestação em mulheres com doenças reumatológicas é viável, desde que ocorra planejamento cuidadoso e acompanhamento com obstetra e reumatologista, para equilibrar o controle da doença materna e a segurança fetal. O acompanhamento antes, durante e após a gestação inclui revisão de medicações, monitorização da atividade da doença, vigilância obstétrica específica e preparo para manejo do puerpério.

Logo abaixo, estão em destaque algumas informações importantes sobre gestação em pacientes com doenças reumatológicas:

Informações essenciais sobre gestação e doenças reumatológicas

A maioria das mulheres com doenças reumatológicas podem engravidar e ter uma gestação bem-sucedida, para isso, o médico reumatologista precisa ser informado do desejo de engravidar, antes de iniciar as tentativas de gestar, para iniciar o  acompanhamento especializado e ajustes de tratamento quando necessários.

Planejamento pré‑concepcional — o que fazer antes de tentar engravidar

Antes de iniciar as tentativas de engravidar, é fundamental conversar com seu reumatologista, sobre o desejo de engravidar, assim o mesmo pode iniciar os preparativos, como:

  • Estabilizar a doença: buscar remissão, de no mínimo 6 meses antes do reumatologista considerar liberar para iniciar as tentativas de engravidar.
  • Revisar medicamentos: substituir ou interromper drogas teratogênicas (que prejudicam o desenvolvimento do feto) e manter aquelas seguras para reduzir surtos da doença.
  • Suplementação: ácido fólico conforme orientação obstétrica.
  • Plano conjunto: calendarizar consultas com reumatologia, obstetrícia de alto risco e demais especialistas necessários.

Medicações durante a gravidez

  • Prioridade: controlar a atividade da doença; crises ativas costumam trazer mais risco fetal.
  • Manter: medicamentos com segurança comprovada na gravidez quando indicados (decisão individualizada).
  • Evitar/suspender: agentes com risco teratogênico — programar interrupção com antecedência suficiente antes da concepção.
  • Corticosteroides: usar a menor dose eficaz; são úteis para controlar surtos agudos.
  • Biológicos e imunomoduladores: avaliar caso a caso; alguns podem ser continuados até certo momento da gravidez e outros devem ser suspensos.

Acompanhamento obstétrico e reumatológico

  • Equipe multidisciplinar: reumatologista + obstetra com experiência em gravidez de alto risco; outros especialistas conforme comorbidades (nefrologista, cardiologista).
  • Monitoramento fetal: ultrassonografias para datar e acompanhar crescimento; ecocardiografia fetal quando há anticorpos anti‑SSA/anti‑SSB positivos devido ao risco de bloqueio atrioventricular neonatal.
  • Consultas: avaliações regulares para ajustar tratamento e detectar flares precocemente.

Riscos e evolução da doença na gravidez

  • Riscos obstétricos: maior chance de parto prematuro, pré‑eclâmpsia, restrição de crescimento fetal e aborto em algumas doenças ativas, mas na doença controlada, esses riscos diminuem.
  • Comportamento das doenças: varia muito, algumas apresentam alívio da doença durante a gravidez, (por exemplo, muitos casos de artrite reumatoide tendem a entrar em remissão durante uma gestação), outras podem agravar‑se ou voltar a atividade, como no Lúpus Eritematoso Sistêmico.

Parto, puerpério e amamentação

  • Parto: meta de evoluir até termo sempre que possível; será avaliado pela equipe obstétrica o tipo de parto, conforme evolução.
  • Puerpério: risco de retorno ou piora da doença; manter plano de tratamento e contato próximo com a equipe reumatológica.
  • Amamentação: incentivada quando possível; Em alguns casos, a medicação de escolha para controle da doença impossibilita o aleitamento.

Orientações práticas para o dia a dia

  • Comunicação: informe qualquer sintoma novo ou piora imediatamente ao reumatologista/obstetra.
  • Vacinação e prevenção: atualizar vacinas antes da gestação quando indicado.
  • Estilo de vida: sono adequado, nutrição balanceada, evitar tabaco e consumo de álcool; atividade física leve conforme tolerância.
  • Planejamento emocional e social: considerar rede de apoio e suporte para o pós‑parto.

Mensagem final

Com preparação, comunicação e acompanhamento em equipe, a maioria das mulheres com doenças reumatológicas terá uma gestação bem‑sucedida; o objetivo é reduzir atividade da doença, modificar o tratamento para medicações mais seguras para o desenvolvimento do feto, antes da concepção e manter vigilância contínua para ajustar tratamentos quando necessário.

Bibliografia recomendada com links

  1. EULAR — European Alliance of Associations for Rheumatology: Recomendações da EULAR para uso de medicamentos antirreumáticos na reprodução, gravidez e lactação: atualização de 2024
    Disponível em: https://www-sciencedirect-com.translate.goog/science/article/pii/S0003496725008180?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt&_x_tr_hl=pt&_x_tr_pto=tc
  2. LUMEN ET VIRTUS – Gestão de gravidez em pacientes com doenças autoimunes: Revisão das práticas para o manejo de gestantes com doenças autoimunes.
    Disponível em: https://share.google/GHWG5Pfh4HhShmFB7