Dor na Coluna e Sintomas Incomuns: Pode Ser Espondiloartrite?

por | maio 28, 2026 | Doenças Reumatológicas, Dor crônica | 0 Comentários

Retrato realista da Dra. Larissa Karkow Pérez, reumatologista, em consultório moderno.

Dor na Coluna que Não Passa? Pode Ser Espondiloartrite

Se você sofre com dor nas costas, provavelmente já ouviu por aí que “é apenas postura”, “estresse” ou um “mau jeito”. No meu dia a dia como médica reumatologista e especialista em dor, vejo pacientes que passam anos sofrendo antes de descobrir que o verdadeiro culpado é a espondiloartrite — uma condição onde a dor na coluna é apenas a ponta do iceberg.

Diferente do que muitos pensam, essa não é uma doença única, mas sim um grupo de condições inflamatórias crônicas. Como especialista, sempre alerto meus pacientes: a espondiloartrite é uma doença sistêmica. Isso significa que, além da coluna e do quadril, ela pode se manifestar em várias outras partes do corpo, o que costuma confundir o paciente e atrasar o diagnóstico correto.

Em meu consultório, é muito comum receber pessoas que começaram a manifestar a doença bem longe da lombar. O quadro pode se disfarçar na forma de:

  • Olhos: Vermelhidão, sensibilidade à luz e dor persistente (uveíte);

  • Pele: Lesões descamativas que coçam, semelhantes à psoríase;

  • Intestino: Cólicas recorrentes e alterações no ritmo intestinal;

  • Calcanhares e tendões: Dores fortes na batata da perna ou no tendão de Aquiles (as entesites).

Reconhecer esses sinais fora da coluna é o grande segredo para descobrir o problema precocemente. Se você convive com essa combinação de sintomas, saiba que não precisa continuar convivendo com a dor sem respostas.

Hoje, através da Telemedicina, eu consigo acolher e avaliar o seu caso de forma detalhada, não importa em qual cidade você esteja. Vamos investigar o que está acontecendo com o seu corpo?

 

Afinal, O Que É a Espondiloartrite e Quem Ela Costuma Afetar?

Diferente de outras doenças reumáticas que costumam ser associadas à terceira idade, a espondiloartrite tem um alvo bem específico: pessoas jovens, frequentemente antes dos 45 anos. Ela faz parte de um grupo de doenças inflamatórias crônicas que divido basicamente em duas formas de apresentação no consultório:

  • Espondiloartrite Axial: Quando o foco da inflamação está na coluna e nas articulações do quadril (as sacroíliacas). É aquela dor que melhora quando o paciente se movimenta e piora no repouso.

  • Espondiloartrite Periférica: Quando a inflamação ataca principalmente as articulações fora da coluna — como joelhos, tornozelos e os dedos das mãos e dos pés (causando o que chamamos de “dedos em salsicha”) —, além dos tendões.

O ponto mais importante que sempre explico aos meus pacientes é que esse processo inflamatório não é “preguiçoso”: ele não fica restrito aos ossos e músculos.

Como a espondiloartrite tem uma raiz sistêmica, ela pode conversar com outras áreas do corpo. É por isso que a combinação de uma dor nas costas persistente com olhos vermelhos, lesões na pele ou crises intestinais é o principal sinal de alerta. Essa tempestade de sintomas combinados é o que me faz ligar o radar no consultório para fechar o diagnóstico o quanto antes.

Olho Vermelho, Psoríase e Dor no Calcanhar: Os Sinais Fora da Coluna

Uveíte Anterior: Quando o Olho Vermelho Sinaliza Espondiloartrite

Close-up realista de olho humano com leve vermelhidão (hiperemia conjuntival discreta), íris castanha em foco nítido, iluminação suave de consultório e fundo desfocado em tons claros, representando sintoma ocular associado a condições inflamatórias.

A uveíte anterior aguda é uma das manifestações fora da coluna mais conhecidas da espondiloartrite. Nem todo paciente vai apresentar esse quadro, mas, no meu consultório, sempre monitoro esse sinal de perto. Quando ela aparece, não se trata de uma simples alergia ou cansaço visual, mas sim de uma inflamação ocular séria.

Os sinais mais comuns que você deve observar incluem:

  • Olho vermelho (geralmente em apenas um dos lados);

  • Dor ocular persistente e profunda;

  • Intolerância à luz (fotofobia);

  • Visão borrada ou embaçada.

Em alguns casos, a uveíte pode ir e voltar, alternando entre os olhos ao longo dos meses. Como especialista em dor e reumatologia, o meu alerta é claro: o risco de complicações visuais exige uma avaliação oftalmológica imediata para proteger a sua visão.

No entanto, o grande segredo do diagnóstico está na combinação de fatores. Se você tem episódios frequentes de olho vermelho e eles vêm acompanhados daquela dor nas costas que piora no repouso, de rigidez matinal ou de histórico de psoríase, a investigação reumatológica é indispensável.

Hoje, com as facilidades da Telemedicina, podemos cruzar todo o seu histórico de sintomas e analisar essas pistas juntos, de forma detalhada e sem que você precise sair de casa para iniciar a sua investigação.

Dactilite: O Que Significa o Chamado “Dedo em Salsicha”?

Mão de adulto com dactilite, caracterizada por inchaço e vermelhidão no dedo indicador, sintoma comum da artrite psoriásica.

No meu consultório, quando um paciente me diz que acordou com um “dedo em salsicha”, eu já sei exatamente o que investigar. O nome médico para isso é dactilite, uma inflamação difusa e intensa que acomete o dedo por inteiro.

Diferente de outras crises de artrite comuns — onde apenas uma única junta fica inchada —, na dactilite o dedo todo (seja da mão ou do pé) fica completamente aumentado de volume, avermelhado e com aspecto esticado.

Como reumatologista, sempre destaco alguns pontos essenciais sobre essa condição:

  • O Alvo Principal: Ela está fortemente associada à artrite psoriásica, uma das principais ramificações do grupo das espondiloartrites.

  • A Localização: Pode atingir tanto os dedos das mãos quanto os dos pés, muitas vezes dificultando o uso de sapatos ou tarefas simples do dia a dia.

  • A Intensidade: Na grande maioria das vezes causa uma dor latejante e incômoda, mas, em alguns casos raros, pode ser pouco sintomática e o paciente notar apenas o ganho de volume.

Esse achado é uma assinatura muito forte dentro do espectro das espondiloartrites e nunca deve ser ignorado. Se você percebeu seus dedos inchando dessa forma, principalmente se isso vier acompanhado de dor lombar que piora no repouso, rigidez matinal ou se você já tem histórico de psoríase na pele, o seu corpo está emitindo um sinal claro de alerta.

Não adie a sua investigação. Através de uma consulta especializada por Telemedicina, nós podemos avaliar essas alterações visuais e correlacionar com o restante das suas dores, traçando um plano de diagnóstico preciso sem que você precise enfrentar filas ou deslocamentos.

Psoríase e Alterações nas Unhas: A Ligação com a Dor na Coluna

Psoríase com lesões na pele e alterações nas unhas, incluindo descamação e pitting ungueal

Muitas pessoas não sabem, mas a psoríase é uma doença inflamatória da pele que está intimamente ligada à artrite psoriásica — uma das principais formas de espondiloartrite. No meu dia a dia como reumatologista, vejo que enquanto alguns pacientes apresentam lesões evidentes na pele, em outros as pistas são tão discretas que passam completamente despercebidas no espelho.

Para ajudar a acender o sinal de alerta, eu sempre oriento meus pacientes a buscarem por esses sinais específicos na pele e nas unhas:

  • Placas avermelhadas com descamação: Especialmente em regiões como cotovelos, joelhos e couro cabeludo;

  • Pequenas depressões nas unhas: Furinhos que parecem picadas de agulha (o termo médico é pitting);

  • Descolamento ou espessamento ungueal: Quando a unha começa a se separar do dedo ou fica muito grossa, parecendo uma micose antiga.

Quando as dores nas articulações e essas alterações de pele ou unhas aparecem juntas, o corpo está nos dando um mapa valioso. É por isso que defendo tanto uma avaliação integrada.

Se você convive com essa combinação de sintomas, investigar o seu caso com um especialista é o caminho mais seguro para recuperar a sua qualidade de vida. Hoje, com o suporte da Telemedicina, eu consigo realizar essa análise detalhada do seu histórico de dores e analisar as imagens da sua pele e unhas, oferecendo um diagnóstico preciso não importa onde você esteja.

 

Intestino e Dor nas Costas: Qual a Relação com a Espondiloartrite?

“Pessoa com dor abdominal e dor no joelho, ilustrando possível associação entre doença inflamatória intestinal e dores articulares

Você sabia que a saúde do seu intestino pode estar diretamente ligada às suas dores nas costas? A espondiloartrite também pode caminhar lado a lado com a doença inflamatória intestinal, como a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa.

No meu consultório, vejo pacientes que passam anos tratando as articulações e o estômago de formas totalmente separadas, sem perceberem que a inflamação intestinal, as dores articulares, a rigidez matinal e a dor lombar crônica costumam fazer parte do mesmíssimo contexto clínico.

Para ajudar você a ligar os pontos, existem alguns sinais intestinais persistentes que merecem uma investigação reumatológica profunda:

  • Diarreia crônica: Alterações intestinais que duram semanas sem uma causa aparente;

  • Dor abdominal recorrente: Cólicas e desconfortos frequentes na região da barriga;

  • Sangue ou muco nas fezes: Um forte sinal de que o intestino está passando por um processo inflamatório ativo;

  • Perda de peso não intencional: Emagrecer sem estar fazendo dieta ou exercícios para esse fim.

Quando essa associação acontece, o trabalho conjunto entre o gastroenterologista e o reumatologista é o que garante o sucesso do tratamento. Afinal, precisamos apagar o incêndio inflamatório do corpo como um todo, e não apenas remediar uma dor isolada.

Se você convive com esse histórico de sensibilidade intestinal e dores na coluna que não passam, o seu caso exige um olhar minucioso. Não ignore os sinais que o seu corpo está enviando: buscar uma avaliação especializada com um reumatologista é o primeiro passo para entender o cenário completo e recuperar a sua qualidade de vida.

ENtesite: dor no tendão nem sempre é só sobrecarga

Pessoa com dor no tendão de Aquiles e joelho, ilustrando entesite, inflamação na inserção de tendões e ligamentos

Muitas pessoas acreditam que aquela dor persistente no calcanhar ou no joelho é apenas o resultado de um treino mais pesado ou de um “mau jeito”. No entanto, o que parece ser uma simples tendinite ou entorse pode ser, na verdade, uma entesite — a inflamação justamente no local em que os tendões e ligamentos se inserem no osso.

No meu dia a dia como reumatologista, vejo que essa condição é frequentemente confundida com sobrecarga mecânica. Porém, quando ela faz parte do grupo das espondiloartrites, os locais mais frequentes de dor incluem:

  • Tendão de Aquiles (atrás do calcanhar) e fáscia plantar (sola do pé);

  • Coluna e região da pelve (quadril);

  • Ao redor dos joelhos.

Para diferenciar a entesite de uma lesão comum por esforço, eu sempre oriento meus pacientes a prestarem atenção em algumas características bem específicas:

  • Uma dor profunda e localizada que parece vir de dentro do osso;

  • O sintoma piora muito após períodos de repouso (como ficar muito tempo sentado);

  • Presença de rigidez logo pela manhã, logo ao levantar da cama;

  • Uma sensação de melhora com o movimento leve ao longo do dia.

Se você tem um histórico de “tendinites de repetição” que vão e voltam sem uma causa clara, o seu corpo pode estar dando um sinal de alerta inflamatório.

Para quem está aqui na região e busca um diagnóstico assertivo, o meu consultório em Uberaba está pronto para acolher o seu caso. Investigar essas pistas com uma especialista em dor e reumatologia é o caminho mais seguro para tratar a raiz do problema e recuperar o seu bem-estar.

Dor na Coluna e Sintomas Combinados: Quando Procurar um Reumatologista?

Como você pôde ver até aqui, o grande desafio da espondiloartrite é que ela não se manifesta de uma forma só. No meu consultório, sempre explico aos pacientes que a avaliação com um especialista em reumatologia e dor deve ser considerada principalmente quando existe uma combinação de sintomas.

Se você se identificou com este texto, fique muito atento aos principais sinais de alerta que exigem uma investigação médica:

  • Dor lombar crônica: Aquela dor nas costas contínua que começou antes dos 45 anos;

  • Padrão inflamatório: A dor que melhora quando você se movimenta e piora bastante após o repouso;

  • Rigidez matinal: Aquela sensação de corpo “travado” e rígido que dura um tempo prolongado logo ao acordar;

  • Manifestações fora da coluna: Episódios de olho vermelho doloroso (uveíte), histórico de psoríase na pele ou unhas, e sintomas intestinais persistentes associados a dores articulares;

  • Dores nos tendões e dedos: Dor forte nos calcanhares, na planta dos pés (entesites) ou inchaço difuso e em formato de “salsicha” nos dedos das mãos ou dos pés (dactilite).

Um ponto fundamental que sempre destaco: mesmo que os seus exames de sangue ou de imagem iniciais tenham dado normais, a avaliação clínica especializada continua sendo essencial. O diagnóstico preciso da espondiloartrite não depende de um único exame, mas sim de uma história detalhada, do exame físico minucioso e de uma correlação médica inteligente.

Se você convive com esses sintomas combinados e quer parar de pular de consultório em consultório sem respostas, o próximo passo está em suas mãos.

Para quem busca um acompanhamento presencial e de perto na região, o meu consultório em Uberaba está de portas abertas para acolher você. E se você estiver em qualquer outra cidade do país e preferir a praticidade de um atendimento especializado direto da sua casa, eu também realizo consultas completas e detalhadas por Telemedicina.

Não adie o cuidado com a sua saúde. Vamos investigar e tratar a raiz da sua dor juntos?

Perguntas Frequentes Sobre Espondiloartrite: Tire Suas Dúvidas

 

1. Espondiloartrite é a mesma coisa que espondilite anquilosante?

Não exatamente. Como médica, eu costumo usar a analogia de uma “família”. A espondiloartrite é o nome do grupo completo de doenças inflamatórias. Já a espondilite anquilosante é apenas uma das formas mais conhecidas e frequentes dentro desse grupo. Portanto, quem tem espondilite anquilosante tem uma espondiloartrite, mas o grupo também engloba outras condições (como a artrite psoriásica).

2. Todo paciente com dor lombar tem espondiloartrite?

De forma alguma. A dor nas costas é uma das queixas mais comuns do mundo e, na grande maioria das vezes, está ligada a problemas mecânicos, como má postura, sedentarismo ou contraturas.

O que me faz ligar o sinal de alerta no consultório para a espondiloartrite é o chamado padrão inflamatório da dor. Ou seja, quando a dor começa antes dos 45 anos, piora quando o paciente fica parado, melhora com o movimento leve e vem acompanhada de uma rigidez forte ao acordar. A suspeita aumenta ainda mais se a pessoa tiver outras manifestações associadas, como lesões de pele, olho vermelho ou alterações intestinais.

3. O olho vermelho pode aparecer antes da dor na coluna?

Sim, perfeitamente. Esse é um dos principais motivos pelos quais o diagnóstico correto pode demorar anos para acontecer.

Em muitos pacientes, as manifestações fora da coluna (como a uveíte, que causa o olho vermelho e doloroso) surgem muito antes de qualquer sinal de dor lombar típica. É por isso que sempre defendo a importância de uma avaliação ampla, investigativa e minuciosa. Quando os sintomas se repetem de forma inexplicável, o corpo está tentando nos contar uma história por inteiro.

Referências Científicas e Base de Estudos (ABNT)

Todo o conteúdo deste artigo foi desenvolvido com base em diretrizes médicas oficiais e estudos científicos recentes sobre reumatologia. Meu compromisso é sempre trazer informações seguras e atualizadas para os meus pacientes.

Abaixo, você pode conferir as principais fontes consultadas para a produção deste material:

  • SOCIEDADE BRASILEIRA DE REUMATOLOGIA. Espondiloartrites. São Paulo: SBR, 2023. Disponível em: Sociedade Brasileira de Reumatologia. Acesso em: 13 abr. 2026.

  • ASSESSMENT OF SPONDYLOARTHRITIS INTERNATIONAL SOCIETY (ASAS). ASAS Handbook: a guide to assess spondyloarthritis. Disponível em: PubMed / NCBI. Acesso em: 13 abr. 2026.

  • ANNALS OF THE RHEUMATIC DISEASES. Extra-articular manifestations in patients with ankylosing spondylitis and non-radiographic axial spondyloarthritis. EULAR, 2024. Disponível em: Annals of the Rheumatic Diseases (EULAR). Acesso em: 13 abr. 2026.