Muitas pessoas buscam estar saudáveis, e nesse sentido, criou-se uma ilusão de que repor vitaminas na forma de suplementação, irá alcançar esse benefício no organismo, pois elas são essenciais para o bom funcionamento do corpo, porém o conceito de que “vitamina nunca faz mal” é um dos maiores mitos quando falamos de saúde, sendo reportagem em diversos veículos televisivos como Fantástico e CNN Brasil.

A verdade é que o excesso pode ser tão prejudicial à sua saúde, quanto a falta. Logo abaixo, estão algumas orientações, do por que não se deve automedicar com esses suplementos:

1. O corpo não precisa de “sobras”

Nosso organismo funciona em equilíbrio. Ele absorve o que precisa e descarta o que não é necessário. Quando você toma vitaminas sem indicação médica, corre o risco de sobrecarregar órgãos como o fígado e os rins, que precisam trabalhar mais para lidar com esse excesso e descartar o que não será usado.

2. Vitaminas lipossolúveis acumulam no fígado

As vitaminas A, D, E e K são chamadas de lipossolúveis porque se dissolvem em gordura. Diferente das hidrossolúveis (como a vitamina C e as do complexo B), elas não são eliminadas facilmente pela urina. Isso significa que o excesso fica armazenado no fígado e no tecido adiposo, podendo causar intoxicação e doenças hepáticas.

3. Hipervitaminose: quando o excesso vira doença

A hipervitaminose é o nome dado à intoxicação por excesso de vitaminas. Ela pode provocar sintomas variados, desde dores de cabeça e náuseas até problemas graves como:

  • Lesões no fígado
  • Alterações ósseas (no caso da vitamina A e D)
  • Distúrbios de coagulação (vitamina K e E)
  • Cálculos renais (vitamina D e C em excesso)
  • Distúrbios neurológicos como alterações cognitivas, confusão mental, tremores, entre outros (diversas vitaminas podem causar)

Ou seja, aquilo que parecia um “reforço” para a saúde pode se transformar em uma porta de entrada para doenças.

3. Riscos para quem já tem doença hepática ou renal

Se para pessoas saudáveis o excesso de vitaminas já pode ser perigoso, para quem já possui algum comprometimento do fígado ou rins, o risco é ainda maior, pois:

  • Fígado comprometido: como é o órgão responsável por metabolizar muitas vitaminas, especialmente as lipossolúveis (A, D, E e K), qualquer sobrecarga pode acelerar a progressão de doenças hepáticas já instaladas, como hepatite ou cirrose. O excesso pode causar inflamações, aumento das enzimas hepáticas e até insuficiência hepática.
  • Rins fragilizados: os rins filtram substâncias do sangue e eliminam o que está em excesso. Quando há consumo exagerado de vitaminas, eles precisam trabalhar mais e, quando se tem uma insuficiência renal, faz os rins trabalharem além da sua capacidade, podendo aumentar o risco de evoluir para falência renal.
  • Maior vulnerabilidade: pessoas com doenças hepáticas ou renais já têm menor capacidade de lidar com substâncias extras no organismo. A automedicação com vitaminas, nesses casos, pode transformar uma condição controlada em um problema grave.

5. Automedicação não substitui diagnóstico

Tomar vitaminas sem orientação é como tentar consertar um carro sem saber qual é o problema. Através da investigação de uma queixa de saúde, o médico solicita exames laboratoriais que podem mostrar se há realmente deficiência de alguma vitamina como causa. Muitas vezes, sintomas como cansaço ou queda de cabelo não têm relação com falta de vitaminas, mas sim com outras condições que precisam de tratamento adequado.

Resumindo: automedicar-se com vitaminas não é uma forma segura de cuidar da saúde. O excesso pode causar hipervitaminose, sobrecarga no fígado e doenças sérias, principalmente para aqueles que já têm algum comprometimento de orgãos. O caminho mais seguro é sempre procurar orientação médica, como Dra. Larissa Karkow, médica com especialidade, com RQE, tanto em Clínica médica quanto em Reumatologia, e apostar em uma alimentação equilibrada, que já fornece a maioria dos nutrientes necessários.

Referências Bibliográficas